segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Bienal do livro (crônica)

São Paulo estava cinza no primeiro dia. Um cinza bonito. Cinza de vida e pessoas desconhecidas passando por mim, de árvores no meio das ruas - vistosas, mais do que os prédios pichados. De pessoas pobres dormindo nas calçadas sob cobertores ou papelões. De vendedores ambulantes. De trabalhadores.

E da Bienal do livro que acontece a cada dois anos. E do hotel com toalhas brancas, piso branco, lençóis brancos e um café da manhã de todas as cores.

O que olhar primeiro na Bienal? Passear primeiro e comprar depois? Dar um rolê e ver todas as novidades e promoções e, somente então, delinear um roteiro de compras? Mas depois as pernas doem, depois dá vontade de os ouvidos descansarem, depois já se está cansado de tanto esbarrar nos outros e desviar daqueles vendedores de revista que te param no corredor.

O importante é não dar importância às coisas sem importância.

Muitos livros são vendidos a preço de banana, mas, diga-se de passagem, livros que valem menos do que uma banana, verdade seja dita. Sim, justamente na literatura infantil, a que deveria ser mais cuidada, vemos muitos livros montados de qualquer jeito, meras reproduções. Se tentarmos descobrir a autoria ou adaptação daquela obra, não encontraremos.

Tenho visto isto por aqui também, nas feiras dos livros: dá-se um vale para as crianças, de um a dois reais, com o qual compra-se justamente aqueles livros, que nem sei se valem um ou dois reais. Não sei até que ponto possam cativar o leitor. Também não sei de que adiantará tantas crianças na feira gigante. Nem até que ponto isto marcará positivamente a memória delas. No entanto, são tentativas de aproximar a criança do livro.

Os adultos se divertem, porém, se irritam e se chateiam um pouco também, principalmente com aqueles vendedores que não sabem responder a nenhuma das perguntas sobre livros que você faz. Cadê os bons profissionais do livro? Coisa rara hoje em dia. Mas eu fui muito paciente, afinal, esta era a minha quarta Bienal do livro. Digamos que tenho uma certa experiência no assunto.

Não me importei de pegar fila pra comprar um lanche, de levar alguns empurrões, outros esbarrões, do barulho, da fila no banheiro... afinal, estava na maior feira de livros do país. Tantas capas lindas, alguns brindes interessantes, algumas bagatelas. Só não havia espaço para sentar e folhear com calma. De repente, você se dá conta: quanta gente gosta de ler!

Pois é, e pra quem gosta, pode virar febre. Presenciei algumas cenas de pessoas eufóricas diante de um lançamento de seu autor preferido. Agarravam-se ao livro apressadas e desconfiadas. Se fosse à mesa e houvesse apenas um doce no prato, talvez você não o pegasse; mas livro pode, pois você sabe, tamanha identificação te torna, digamos, íntima daquele artefato.

Livro, o objeto que nos torna livre. Leve um livro pra casa, não qualquer um, leve aquele que te leva pela mão, pra dentro de um lugar seu e de mais ninguém.

2 comentários:

Mara faturi disse...

ai, fiquei com água na boca...
bjo!

Alaide N. Cadima disse...

Oi! Sumi, mas estou de volta! rsrs

Queria ter ido nessa Bienal... não deu! Fica pra próxima!