Aula de conto
A um crítico
Olhava além da janela: um pardal, hastes de uma palmeira e vento. Cílios. O professor, muito seguro de si, diz quem é e quem não é escritor. Muito seguro de si ele diz qual texto é literário e qual não é. Muito seguro de si.
Muito insegura de si ela se pergunta se o pardal tem alguma certeza ou apenas impulsos leves. Muito seguro de si ele dá a alfinetada final: não posso publicar qualquer coisa, meu nome e meu emprego estão em jogo.
“Qualquer coisa” escreveu-se sobre o vidro da janela que a separava dos pardais, pássaros inferiores.
Os colegas de aula se revezavam nos papéis de céu e inferno, tecendo o purgatório. Nunca mais escreveria um verso. O poema do Poe lhe serviria de amparo.
Poderia fazer outra coisa. Estudar o movimento das aves inferiores: pardais, canários. Mas avançaria. Compraria um binóculo para observar aves mais suntuosas: um tucano, por exemplo. Passaria o tempo livre nos bosques, longe dos professores e dos veredictos.
Até descobrir que tucanos se alimentam dos filhotes indefesos de outros pássaros.
Muito insegura de si ela se pergunta se o pardal tem alguma certeza ou apenas impulsos leves. Muito seguro de si ele dá a alfinetada final: não posso publicar qualquer coisa, meu nome e meu emprego estão em jogo.
“Qualquer coisa” escreveu-se sobre o vidro da janela que a separava dos pardais, pássaros inferiores.
Os colegas de aula se revezavam nos papéis de céu e inferno, tecendo o purgatório. Nunca mais escreveria um verso. O poema do Poe lhe serviria de amparo.
Poderia fazer outra coisa. Estudar o movimento das aves inferiores: pardais, canários. Mas avançaria. Compraria um binóculo para observar aves mais suntuosas: um tucano, por exemplo. Passaria o tempo livre nos bosques, longe dos professores e dos veredictos.
Até descobrir que tucanos se alimentam dos filhotes indefesos de outros pássaros.