sexta-feira, 6 de abril de 2012

Patos

O pato nada sabe do que sinto ou vejo
pescoço escondido em si mesmo

Ninguém se aborrece com o pescoço do pato
Fosse um homem a parar na beira da rua
com o pescoço dobrado e a cabeça enfurnada em si

Ninguém se aborrece com os patinhos
Ninguém se importa mesmo com os poucos patinhos dentro do cercadinho
Último vestígio do mundo selvagem

sábado, 3 de março de 2012

Puma

salta da árvore um ser pesado
salta e se esconde
um veado?
um bugio?
um puma?
veado não salta de árvore
bugio não se esconde em toca
puma, sim, se esconde dos seres brancos e feiosos

é isso aí, bicho
melhor ficar escondido
melhor ficar na tua
melhor ficar na toca

o homem toca a vida
de outro jeito
dança conforme a música
do patrão
vive em ritmo de produção

não se dê ao trabalho de comer esse animal feioso
pode dar indigestão

sábado, 3 de dezembro de 2011

O primeiro poema da árvore

A árvore ouviu o poema das zebras
escrito por Bernardo Texugo
ouviu misturado ao vento
e ao zumbido de um inseto de olhos pontudos

Ouviu que as zebras iam sorridentes
o canto do vento dizia: vamos, vamos

As árvores não vão a lugar algum
os homens, por exemplo,
andam velozes sobre rodas
as zebras correm contentes

As flores caíram na boca dos crocodilos
flores cor de zebra, galopantes,
mergulharam na boca dos crocodilos
cor de sangue

Duas ou três escaparam
e em algum lugar do mundo
nasceram zebras vermelho-sangue

Poema construído como exercício durante a oficina com Carlito Azevedo, em Jaraguá do Sul. Inspirado no poema "A morte e as zebras" de Bernardo Atxaga. A intenção foi colocar a árvore como protagonista e também usar o elemento da metamorfose, trocando zebras por flores nas sensações da árvore.

domingo, 28 de agosto de 2011

Agosto

Toda essa chuva sobre a cidade
sobre o país e o mundo
não cabe em mim.
Em mim cabe apenas a saudade da primavera

sábado, 23 de julho de 2011

Tela do fim do mundo

o nunca
doendo na nuca
feito um osso
nunca é o nunca

no colo
uma estrela
espreita
as formas
informes
do mundo

colosso

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Concurso Poesia urbana

Estão abertas as inscrições para o concurso Poesia Urbana.
Os melhores textos serão veiculados nos ônibus de algumas empresas do Vale do Itajai.
O concurso é direcionado a catarinenses maiores de 18 anos (ou residentes no Estado há pelo menos dois anos). Mais informações no site:
http://www.unifebe.edu.br/poesiaurbana
Participe, divulgue!
Abraços,
Suzana Mafra

sábado, 19 de março de 2011

Estrelas

Cada pessoa tem uma estrela que lhe guia a vida

Caminho no escuro como se pisasse em nuvens

Nervosa

Minha estrela é um vagalume


Poema classificado no concurso Sinergia.