Aula de conto
A um crítico
Olhava além da janela: um pardal, hastes de uma palmeira e vento. Cílios. O professor, muito seguro de si, diz quem é e quem não é escritor. Muito seguro de si ele diz qual texto é literário e qual não é. Muito seguro de si.
Muito insegura de si ela se pergunta se o pardal tem alguma certeza ou apenas impulsos leves. Muito seguro de si ele dá a alfinetada final: não posso publicar qualquer coisa, meu nome e meu emprego estão em jogo.
“Qualquer coisa” escreveu-se sobre o vidro da janela que a separava dos pardais, pássaros inferiores.
Os colegas de aula se revezavam nos papéis de céu e inferno, tecendo o purgatório. Nunca mais escreveria um verso. O poema do Poe lhe serviria de amparo.
Poderia fazer outra coisa. Estudar o movimento das aves inferiores: pardais, canários. Mas avançaria. Compraria um binóculo para observar aves mais suntuosas: um tucano, por exemplo. Passaria o tempo livre nos bosques, longe dos professores e dos veredictos.
Até descobrir que tucanos se alimentam dos filhotes indefesos de outros pássaros.
Muito insegura de si ela se pergunta se o pardal tem alguma certeza ou apenas impulsos leves. Muito seguro de si ele dá a alfinetada final: não posso publicar qualquer coisa, meu nome e meu emprego estão em jogo.
“Qualquer coisa” escreveu-se sobre o vidro da janela que a separava dos pardais, pássaros inferiores.
Os colegas de aula se revezavam nos papéis de céu e inferno, tecendo o purgatório. Nunca mais escreveria um verso. O poema do Poe lhe serviria de amparo.
Poderia fazer outra coisa. Estudar o movimento das aves inferiores: pardais, canários. Mas avançaria. Compraria um binóculo para observar aves mais suntuosas: um tucano, por exemplo. Passaria o tempo livre nos bosques, longe dos professores e dos veredictos.
Até descobrir que tucanos se alimentam dos filhotes indefesos de outros pássaros.
5 comentários:
Cara poeta o que seria do futuro da ninhada da D. Coruja? Se não fosse um nenem distraído da D. Cobra, ou aquele minúsculo e indefeso bebê da D. Rã? A vida é viva, inclusive a morte.
Gostei muito!
MMMMMMMMUUUUUUUUIIIIIITTTTTOOOOOO!
Justo pela leveza da crueza.
Justo pelo toque de parábola.
Abraço da Fatima/Laguna
Gosto muito do seu blog,
cheguei até ele por acaso,
li vários e vários posts
já fui viciada rs...
Parabéns!
Carol - Brasília DF
É a Natureza está cheia dessas coisas...
Bjs
Uau!!!!!!!!!! palavra de mestra!
É,infelizmente,minha flor,há mestres que são tucanos...e não respeitam pardais,nem qualquer outra ave indefesa.Não deixam espaço pros não-arrogantes,nem percebem os talentos que sejam tímidos.
Mas pardais são lindos, gorriones, tão despretensiosos... AMO os pardais,não gosto de tucanos.
bj
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