sábado, 28 de fevereiro de 2009

Aula de conto
A um crítico
Olhava além da janela: um pardal, hastes de uma palmeira e vento. Cílios. O professor, muito seguro de si, diz quem é e quem não é escritor. Muito seguro de si ele diz qual texto é literário e qual não é. Muito seguro de si.

Muito insegura de si ela se pergunta se o pardal tem alguma certeza ou apenas impulsos leves. Muito seguro de si ele dá a alfinetada final: não posso publicar qualquer coisa, meu nome e meu emprego estão em jogo.

“Qualquer coisa” escreveu-se sobre o vidro da janela que a separava dos pardais, pássaros inferiores.

Os colegas de aula se revezavam nos papéis de céu e inferno, tecendo o purgatório. Nunca mais escreveria um verso. O poema do Poe lhe serviria de amparo.

Poderia fazer outra coisa. Estudar o movimento das aves inferiores: pardais, canários. Mas avançaria. Compraria um binóculo para observar aves mais suntuosas: um tucano, por exemplo. Passaria o tempo livre nos bosques, longe dos professores e dos veredictos.

Até descobrir que tucanos se alimentam dos filhotes indefesos de outros pássaros.

5 comentários:

Anônimo disse...

Cara poeta o que seria do futuro da ninhada da D. Coruja? Se não fosse um nenem distraído da D. Cobra, ou aquele minúsculo e indefeso bebê da D. Rã? A vida é viva, inclusive a morte.
Gostei muito!
MMMMMMMMUUUUUUUUIIIIIITTTTTOOOOOO!
Justo pela leveza da crueza.
Justo pelo toque de parábola.
Abraço da Fatima/Laguna

Poesias e detalhes... disse...

Gosto muito do seu blog,
cheguei até ele por acaso,
li vários e vários posts
já fui viciada rs...
Parabéns!
Carol - Brasília DF

Vieira Calado disse...

É a Natureza está cheia dessas coisas...

Bjs

marcia cardeal disse...

Uau!!!!!!!!!! palavra de mestra!

Regina disse...

É,infelizmente,minha flor,há mestres que são tucanos...e não respeitam pardais,nem qualquer outra ave indefesa.Não deixam espaço pros não-arrogantes,nem percebem os talentos que sejam tímidos.
Mas pardais são lindos, gorriones, tão despretensiosos... AMO os pardais,não gosto de tucanos.
bj